10 razões para andar de bicicleta na cidade (para quem não tem vida para isso…)

Se forem atarefados como eu, em que é a agenda que manda na vossa vida, sempre cheios de afazeres, reuniões e apontamentos, aos quais ainda se juntam os compromissos familiares e o pouco tempo para passar com amigos, então estas dicas são para vocês!

Quando me falaram sobre como era bom andar de bicicleta na cidade, de como não se perdia tempo com este transporte e de que havia uma série de vantagens para além de não poluir o ambiente, imediatamente pensei… “pronto, lá vem estes freaks da natureza, a achar que tenho a vida deles!!”. No entanto, e depois de dedicar alguma atenção a navegar na internet sobre o assunto, e depois de algumas viagens a capitais europeias, em que me pareceu que as pessoas parecem estar integrar as bicicletas na suas vidas diárias, decidi tentar. E porque não? Para dizer a verdade, o exercício até me fazia bem e a crise de meia idade acaba por justificar a mudança para um comportamento mais extravagante. Bom, depois de alguma pesquisa, lá decidi pela compra de uma bicicleta (uma Brompton, claro… Até porque o slogan deles diz “made for cities”, quem sou eu para contradizer!). A ideia era ver se isto seria de modas ou se iria pegar mesmo. Depois de 3 meses de uso mais intensivo parece que está a pegar. E constatei que havia todo um mundo novo que aparentemente estava ali ao lado mesmo pronto para ser descoberto.

Aí vão então as minhas 10 razões para andar de bicicleta na cidade:

 

1. A cidade é muito mais amigável para bicicletas do que podem imaginar.

Realmente é preciso deixar o carro para perceber que não fomos os primeiros a ter esta ideia peregrina. Existem vários aventureiros citadinos que fazem o mesmo, e as cidades estão cada vez mais adaptadas ao uso deste transporte. Só Lisboa fez um gigante investimento em vias de circulação de bicicletas, e mais estão para aparecer. [um excelente artigo do Cicloriente complementa esta informação]

2. Pelo exercício.

De facto, é verdade. O exercício está lá, mesmo quando nem se pensa que se está a fazê-lo. O uso da bicicleta trajetos diários, como compras ou ida para o trabalho acaba por ser feito em atividade física. E tem tantas distrações que nem sentimos que o corpo está a mexer. Com facilidade acabamos por fazer uma hora, sem nos apercebermos disso… E não é basicamente o mesmo tempo que se passa no ginásio?

3. É possível conciliar a roupa de bicicleta com a do trabalho.

Esta foi uma das grandes novidades para mim. Andar de bicicleta era sinónimo de roupa confortável de desporto ou fim de semana, ou então, aquele look todo “lycrado” de quem acabou de sair de uma volta a Portugal. Isto não é bem verdade. Se as distâncias forem bem planeadas, pode-se manter uma velocidade mais baixa, que não nos faz suar muito. E é relativamente simples trocar uma camisola no local de trabalho, ou simplesmente passar a cara por água. Isto era uma das coisas que me fazia mais confusão, pois, para além de não gostar de andar suado, também tenho que ter algum cuidado com a roupa que uso no trabalho. Existem imensas alternativas de roupa mais aprumada, e que se destina a ser usada com bicicleta. É tudo uma questão de criatividade. E não é que o look de bicicleta de cidade também combina com o look executivo?!?

4. Acessórios, gadgets e bagagens.

Para quem gosta de gadgets e acessórios como eu, o mundo das bicicletas é uma ida à Disneylândia. Há de tudo, acessórios para telemóveis, câmaras de vídeo, malas e alforges, luzes, gps, modificações na bicicleta, etc. para além de divertido é a personalização completa, o que faz com que a bicicleta se torne tão confortável quase como o interior do nosso carro.

5. O tempo…

Passear pela cidade ou pelo campo quando nos apetece: nível desbloqueado

Como disse no início, um dos argumentos que me apresentaram foi poupar tempo. O que, pelas velocidades médias entre um carro e uma bicicleta me parecia simplesmente absurdo. Mas, pensando bem, não é assim tão absurdo como podem imaginar. Cada vez mais a bicicleta é algo que pode ser combinado com outro tipo de transporte. Principalmente as bicicletas dobráveis são facilmente transportáveis no carro, para fazer aqueles últimos quilómetros até ao trabalho, ou combinados com o metro ou autocarro. Isto poupa tempo. Já para não falar no tempo perdido entre procura de estacionamentos ou trânsito parado. Contando bem, não é assim muito mais o tempo passado na bicicleta… E é sempre a andar!

6. Economia…

Ok, esta é óbvia. A bicicleta poupa dinheiro, mas não é apenas no gasóleo que não se gasta… Também no estacionamento que nas cidades começa a ser um fator proibitivo para os carros, depois na manutenção da viatura e saúde. Sim… Estando mais saudável, são menos idas ao médico e ao ginásio.

7. Pelas vistas e pelas pessoas.

Andar de bicicleta dá tempo e acesso a partes da cidade que o carro não permite. E isto tem o seu valor. No meu caso, a deslocação de casa para o trabalho é feita numa ciclovia perto do rio. Passear ali só seria possível ao fim de semana e teria que me deslocar lá para esse fim. Agora é um local de passagem habitual. Depois vemos pessoas giras, nas suas corridas ou nas suas bicicletas. Têm outro humor e cumprimentam a maioria das vezes. Aaah… e têm aspecto saudável! Muito diferente da natural antipatia e falta de paciência dos condutores da hora de ponta.

8. A arrumação da bicicleta em casa.

Este era um problema, e dos grandes. Como tenho que viver durante a semana na cidade, numa casa mais

Arrumação em qualquer canto sem desculpas.

pequena e sem garagem, ter uma bicicleta à disposição era uma coisa impensável. As casas não estão preparadas para isso, seja pelos acessos serem difíceis, pela construção em altura ou pelas parcas dimensões de escadas e halls. Mas as bicicletas também se tem adaptado a esta realidade. Claro que existem truques e dicas para ter uma bicicleta de montanha ou de estrada num T0. Desde suportes para as pendurar na parede ou no teto, até a cadeados que são capazes de dissuadir o mais artista dos larápios. Mas a verdade é que nada bate a mobilidade de uma bicicleta dobrável, especialmente a Brompton. Arruma-se em qualquer canto e fica bem, seja em casa ou no escritório. Espaço deixou de ser desculpa.

9. Estilo de vida.

Sim… é uma boa razão! Identifico-me com o estilo de ciclista urbano. Está na moda, é giro, e faz-me sentir bem. É uma excelente razão para passar fasquia dos 40 com um estilo de vida ativo, que se adaptou à minha forma de viver a cidade.

10. E finalmente… Como modo de comunicação.

Não é de agora que procurava um tema que fosse interessante para escrever sobre e descobrir em primeira mão as imensas particularidades que tem. O mundo das bicicletas tem tudo isso, funciona com comunidades e este fenómeno de adaptar a bicicleta à vida urbana, numa altura em que está a “explodir” em Lisboa, dá vontade de viver, comentar e comunicar. Essa é uma das razões pelo qual partilho a minha experiência em primeira mão convosco.

O Bike.POP divulga experiências e textos de autores que contribuem para a desmistificação da utilização da bicicleta na cidade, bem como promoção de uma mobilidade mais sustentável. Os textos são livres e isentos de edições, ficando inteiramente ao critério e discrição da pessoa.


Bruno Brito tem 41 anos e é cliente do Bike.POP. Apesar de sempre ter usado bicicleta em lazer, só em 2016 começou a usá-la como transporte para o trabalho e na vida do dia-a-dia. Rapidamente se tornou num entusiasta deste meio de transporte, especialmente da versatibilidade que as bicicletas dobráveis Brompton permitem. O seu interesse por bicicletas e pela adaptação do seu estilo de vida, levou Bruno a partilhar as suas experiências com o Bike.POP!

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