O futuro da mobilidade pós-pandemia

A par de uma mudança radical nas nossas vidas, a pandemia trouxe uma redução drástica no movimento das ruas e avenidas. Com um decréscimo abrupto no trânsito automóvel observa-se com mais facilidade as cidades transformadas ao longo dos anos em avenidas largas e passeios estreitos, estacionamentos, poucas ou nenhumas passagens pedonais. Cidades focadas no automóvel e não num espaço que se quer comum, habitável, sociável e vivenciável.

Restauradores sem o trânsito habitual (foto ©Inês Félix)

As imagens das cidades fantasma que temos visto na televisão e jornais denotam largos metros de asfalto desocupado, passeios estreitos cheios de obstáculos e praças inúteis, secas de vida. Noutros cenários, automóveis (mal) estacionados ocupam espaço que facilitaria o distanciamento social das saídas para exercício, passear o animal de estimação ou deslocações essenciais. Passeios largos ajudam aos elementos mais vulneráveis (idosos e crianças) a movimentarem-se com facilidade e segurança.

Rua Augusta (fotografia ©NIT)

A bicicleta como meio de transporte

É inevitável repensarmos na importância do tempo e no que fazemos com ele. Estar parado no trânsito deixou de ser solução, tendo em conta as agora conscientes externalidades deste transporte, nomeadamente poluição do ar e sonora, ocupação do espaço urbano que deve ser devolvido às pessoas e, economicamente, desequilíbrio da balança comercial. Os transportes públicos continuarão a ser indispensáveis na mobilidade urbana, mais radialmente que dentro da própria cidade, onde a bicicleta percorre com segurança os percursos casa-trabalho, ou até casa-trabalho-escolas.

Brompton Eléctrica

Qualquer bicicleta cumpre a tarefa cujo desconhecimento facilmente procura desculpas: frio, calor, chuva, Sol, subidas, transpiração, segurança. Todo o utilizador frequente da bicicleta como meio de transporte confirma, de forma objectiva, que com a bicicleta, percurso e velocidade adequados, não há limites para a deslocação sobre duas rodas ou razões para evitar este meio.

Bicicletas de carga

Fáceis de estacionar, carregar e descarregar, mais eficientes no trânsito e sem obstáculos. As bicicletas de carga transportam comida, medicamentos, mercearia, encomendas ou até crianças e pessoas. As vantagens aliam-se ainda aos benefícios ambientais, de redução da importação da energia, da ocupação da cidade pelo automóvel e consequente melhoria da segurança das ruas. Para as empresas é um investimento natural que se paga em pouco tempo.

Com provas noutros países, a DHL já adoptou a bicicleta de carga no transporte do “último quilómetro“. Demonstrando eficiência não só nos tempos de entrega, reduziram com sucesso os custos do transporte, evitando combustível e tempo perdido no trânsito ou até à procura de um lugar para estacionar, de forma a recolher ou entregar uma encomenda.

Uma das Bullitt da frota da DHL (foto ©Mark Sutton)

Também o LIDL começou a fazer entregas de produtos frescos em Ghent (Bélgica), reconhecendo valências neste tipo de solução.

O LIDL utiliza Bullitt com atrelados (foto ©LIDL Bélgica)

A própria Amazon fez um ensaio em Nova Iorque de forma a confirmar a celeridade da bicicleta para efectuar entregas versus outras alternativas (incluindo drones!). E em Portugal a Camisola Amarela representa um bom exemplo de uma distribuição eficaz e transversal em Lisboa.

A Camisola Amarela utiliza uma Bullitt para se movimentar no trânsito (foto ©Camisola Amarela)

As empresas como promotoras da bicicleta

O Estado tem vindo a reduzir os subsídios aos veículos de serviço substituindo-os por incentivos a bicicletas (normais, eléctricas ou de carga). Somam-se as vantagens profissionais demonstradas da deslocação de bicicleta de e para o trabalho como a redução de stress, oxigenação do sangue e do cérebro, salubridade e motivação pessoal. A constituição de frotas de bicicletas torna-se ainda vantajosa para as próprias finanças da empresa, tendo a aquisição das frotas um lucro tributável até 140% para sujeitos passivos de IRC ou IRS com contabilidade organizada.